26 de abril de 2009

E porque hoje é Domingo...



Foi contado pela equipa do Catavento, no Marshopping, a história de Álvaro Magalhães intitulada "O Romance de Lucas e Pandora".

É uma história em que o amor e a morte trocam energias! Lucas e Pandora, um casal de gatos, descobrem o verdadeiro nome da morte e o seu segredo mais bem guardado.

Fica aqui um pequeno excerto:

Lucas e Pandora saíram do Palácio de Cristal com o seu retrato pintado.
Pela primeira vez, depois do longo passeio que deram pela cidade, tinham recebido um presente. Tinham agora um objecto a estimar e a guardar.

Cuidadosamente, Pandora pegou no retrato, com as suas delicadas patas.

Era fim-de-tarde. Corria o mês de Outubro. O sol estava a pôr-se por detrás das altas casas. Era um sol magnífico, mas Lucas e Pandora começavam já a sentir os primeiros arrepios.

Nesse momento, Lucas olhou para Pandora e sentiu uma grande ternura.

O cheiro de Pandora entrelaçou-se nas narinas de Lucas que se sentiu responsável por ela estar cheia de frio.

— Minha querida Pandora, tens muito frio…

— Sim, Lucas, este frio é arrepiante, põe-me muito triste. Sinto tanto a falta da minha antiga casa. -suspirou Pandora.

— Mas, que devemos fazer? -perguntou Lucas, preocupado.

— Devemos, talvez, procurar uma casa para nos aconchegar. –respondeu Pandora.

— Nos momentos de aflição é que nos lembramos dos amigos… Eu tenho um amigo de infância que já não vejo há muito tempo. É um amigão! Ele é que nos podia desenrascar.

— E quem é esse teu amigo?

— É o Pitosga. Ele agora anda lá para as bandas do Viso… A última vez que o vi…Mas isso são histórias passadas. O importante agora, é encontrá-lo. Parece que ele se mudou para o quintal dum tal Lopes que tem uma loja de gomas… Guloso, aquele Pitosga.

— Vamos então ter com ele – entusiasmou-se Pandora – sabes, isto de andar por aí, sem poiso certo, agora num sítio, amanhã noutro, também cansa.

O certo é que Pitosga, que se chamava assim porque só tinha um olho, e o outro tinha-o perdido numa célebre briga que ficou conhecida como uma das maiores zaragatas de toda a cidade, deu aos nossos amigos uma ajuda enorme.

Deu-lhes a conhecer o Viso, com os seus bairros e campos encostados à Circunvalação, e apresentou-os a todos os gatos malteses da região, não fossem eles querer atirar-se à linda Pandora.

Ficaram a conhecer os Pingos-Doce, os Mini-Preços, as tascas mas, principalmente, os contentores. Estes eram, sem dúvida, os mais bem fornecidos, os mais cheirosos e os mais gostosos de toda a cidade do Porto.

Pandora, ficou então deslumbrada, por uma lindíssima casa amarela. Era perfeita. Era uma magnífica casa, rodeada de belos jardins e de árvores de fruto.

— Essa casa, calma aí! – exclamou o Pitosga – é melhor pensarem nas traseiras dum bloco…

— Calma aí, porquê? - zangou-se Lucas.

— É que essa casa é a Casa da Quinta do Rio. Não podem pensar em viver lá. Ainda tem lá a gente a morar e…

— E o quê? – perguntaram, ao mesmo tempo, Pandora e Lucas.

— Parece que uma parte dessa casa está meia assombrada.

Nessa noite, Lucas e Pandora, que gostavam de mistérios, não conseguiam adormecer a pensar na casa amarela.

De repente, olharam um para o outro e, pata com pata, lá foram, debaixo da lua, à descoberta da casa.

Saltaram o muro, passaram pelos labirintos do jardim e chegaram a uma dependência da casa. Entraram. Lucas acendeu a lareira com velhos troncos de madeira que estavam lá esquecidos. Depois, aproximou-se de Pandora, e envolveu-a num terno abraço.

Passou a noite. Aos primeiros raios de luz, começaram a ouvir uns rugidos nas suas barrigas.

— Que larica!- exclamou Lucas esfregando as patas na barriga.

— Eu também estou esfomeada. E se fôssemos procurar comida?

Quando estavam a sair de casa sentiram-se ameaçados porque ouviram alguns latidos. Viraram-se e depararam com três terríveis cães que corriam para eles. Lucas agarrou a pata da sua amada e, acelerando o passo, fugiram na direcção do labirinto, que no dia anterior tinham visto no jardim. Pensaram que, dessa maneira, despistavam os seus perseguidores.

No meio do buxo que formava aquela parte do jardim estava uma belíssima flor encarnada. Imediatamente Lucas pensou oferecê-la à sua amada. Tentou arrancá-la. Foi então que um dos arbustos abriu e surgiu uma passagem secreta.

Pandora sentiu medo. Lucas, apercebendo-se, perguntou-lhe:

— Confias em mim?

— Contigo eu vou até ao fim do mundo! – respondeu Pandora, apaixonada.

— Então salllllta!

…Caíram nas águas da Ribeira da Granja.

— Que sorte a nossa! Caímos numa ribeira. De certeza que aqui há algum petisco.

— Não me parece! - disse Pandora, desconsolada.

— Então, pelo menos vamos tentar enganar a fome com algum ratito que haja por aí. – disse Lucas.

Caminharam pelas margens da Ribeira e avistaram uma ratazana velhinha que, assustada, implorou:

— Não me comam! Eu posso contar-vos a história da Ribeira da Granja.

Lucas e Pandora, com pena e curiosidade, aceitaram a proposta. Assim, ficaram a saber que esta ribeira é uma das poucas que restam, à superfície, da cidade do Porto. E que está poluída devido à irresponsabilidade do Homem.

Entretanto, chegaram à Rua das Cegonhas. Que nome bonito! Sentiram um cheiro apetitoso e lembraram-se que ainda tinham fome. De onde viria aquele cheiro?

— Olha aquele fumozinho que vem daquele edifício? O que será? – perguntou Pandora.

— Vamos “cuscar” ! - sugeriu Lucas.

Foi desta forma que chegaram à Escola E.B.2/3 do Viso. Farejaram, até chegarem à cantina, onde a cozinheira preparava um delicioso peixe para o almoço dos alunos. Delicadamente, enrolaram-se nas pernas da cozinheira, que os saciou com alguns pequenos e variados pedaços de peixe.

Ao princípio da tarde, consoladinhos, regressaram a casa.


Mas será que os nossos amigos têm, realmente, uma casa?...

Esta história foi adaptada para crianças dos 3 aos 8 anos.

Todas os domingos, no Marshopping, irão surgir mais histórias destas na actividade "Hora do Conto" e no "Teatro de Fantoches". Visitem-nos todos os domingos a partir das 11h, no corredor da moda infantil no piso 0.


Os fantoches foram criados pelo PintasComPintas.

1 comentário:

Isabel disse...

Olá pintas (uma têm-nas na cara e outra nos olhos! lol!)! Hoje tirei o dia, como quem diz, uma meia hora, para deixar de ser nódoa e vir comentar qualquer coisa aqui! Achei este adequado ;) será porquê?!? Bem aproveito para vos dar os parabéns pelo blog que é muito giro e colorido e recheadinho de coisas apetitosas, que eu lá vou tendo a sorte de receber de prendinhas algumas das coisas, obrigadinha! Vocês são umas queridas, cheias de boas intenções, com muito jeitinho de mãos e fazem coisas muito fofas e não só de missangas, botões e tecidos mas também ajudando os nossos amigos bichos! Beijinhos às duas e até sempre, já que passam tanto tempo comigo como com a vossa sombra, lol ;) aproveitem que vai acabar, em breve vou-me dedicar à minha flor pequenina, que também contará com as suas super tias para a por ainda mais bonita:) Gosto muito de voçês! Um xi apertadinho